Estradas com o mesmo ponto de partida

Einstein nos seus primeiros artigos publicados em revistas científicas da época – longe ainda da teoria da relatividade que viria a mudar o mundo da física – tinha devaneios filosóficos que paravam sempre numa palavra: Solipsismo. Solipsismo significa que eu acredito que o mundo como eu o vejo é exatamente como ele é. Isto significa que só pode haver uma verdade e que qualquer outro entendimento sobre o que eu estou a ver ou a pensar não deve ser considerado.


Isto era um problema crónico dos pensadores na altura, com ideais clássicos bem marcados que acreditavam ser donos da arte de produzir ciência ou do “pensar novo”. Einstein opunha-se a esta visão fechada. Acreditava que a ciência ou a inovação (se o entendermos) tinha de resultar da convergência de perspetivas diferentes porque nunca um olhar sobre a mesma coisa, vindo de pessoas diferentes gerava os mesmos conceitos. Desta forma, defendia que temos que fazer um recuo de “nós próprios” se queremos ampliar a nossa visão da realidade, e para isso temos de aprender e debater com pessoas de culturas, backgrounds e percursos distintos.


Creio que esta pode ser a visão que queremos para o Núcleo Alumni de Engenharia e Gestão Industrial. Criar um ecossistema que junte pessoas com experiências e carreiras distintas, que tenham passado por diferentes indústrias e setores de atividade, carregados de histórias e vivências que podem e devem ser partilhados. Tal como Einstein dizia, é este cruzamento de perspetivas que traz reflexão – num primeiro momento, e depois novas ideias com valor acrescentado, e é isso mesmo que se pretende desenvolver ao longo dos próximos 2 anos.


Esta ideia é cada vez mais importante na realidade de hoje em que os desafios das empresas e das organizações são mais profundos e multidisciplinares, e vão muito além do contexto macroeconómico em que os negócios se tendem a desenvolver. Nas últimas décadas, perante um mercado cada vez mais global e competitivo - resultante da crescente globalização, a necessidade de evoluirmos e aprendermos para além da nossa linha de visão é fundamental. Para isto, nada melhor do que ter acesso a uma comunidade de mais de 1400 profissionais, hoje espalhados pelos cantos do mundo e nas mais diferentes organizações, com quem podemos partilhar e discutir abertamente diferentes tópicos, e receber outras perspetivas sobre um mesmo desafio.


“E como fizeste quando encontraste um problema parecido na tua empresa?”, “Que mecanismos utilizam para gerir a mudança?”, “Que ferramentas digitais têm usado para acelerar a vossa organização?” ou simplesmente “Como é o teu dia-a-dia na posição que ocupas?” podem ser algumas questões a ser respondidas durante as conversas que pretendemos organizar ou nos encontros de networking que se pretendem agendar quando a situação pandémica o permitir.


A verdade é que tem sido uma aventura descobrir os Alumni que fazem parte desta comunidade. Desde professores de computação nos Estados Unidos, a representantes das Nações Unidas ou responsáveis dos laboratórios de investigação mais avançados do mundo, gestores das PMEs de excelência deste país, até líderes de equipas em empresas mundialmente reconhecidas como a Amazon, Airbus ou Mclaren em diferentes geografias.


No final trata-se de juntar todas estas vontades e celebrar o curso de Engenharia e Gestão Industrial. No final, trata-se de contar a história dos nossos Alumni que, embora tenham percorrido estradas distintas, tiveram todos o mesmo ponto de partida.

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